• nome da música

    Rosa Menina Rosa

  • álbum

    Vagarosa

  • artista/banda

    CéU

achei uma flor

eu nunca dei flores para alguém. dar flor é algo mais simbólico do que dizer “eu te amo” porque, enquanto o amor acha você, a flor você tem que ir atrás e cuidar direitinho dela até poder dá-la de presente.

diferente de dizer “eu te amo”, coisa que você às vezes até faz sem saber se a pessoa do outro lado quer ouvir, dar flores de presente exige bastante tato. você não quer uma flor que a pessoa não vai poder cuidar ou acha feia. a flor não pode ser aceita por educação, porque se deixada de lado ela vai morrer.

o “eu te amo” pode vir em um momento confuso e você corre o risco de dizer para a pessoa errada. já a flor, essa não pode ser dada para uma pessoa menos incrível que ela. a flor tem que ser certeira, porque ela dá trabalho de achar.

quem vai ganhar a flor tem que ser mais linda que ela, tem que ser mais rara, mais inesperada, mais cheirosa e mais colorida. presentear com flor tem que significar tudo isso e mais um pouco. uma flor só pode ser dada para outra flor, nem que você demore 24 anos 4 meses e 25 dias para encontrá-la.

eu nunca dei flores para alguém, mas acho que agora vou dar. de repente, depois disso, dizer “eu te amo” tenha um significado maior.

  • nome da música

    Hey

  • álbum

    Doolittle

  • artista/banda

    Pixies

me pediram para dizer o que era nostalgia em 25 linhas

sem saudade não há nostalgia. sem desejo de retorno também não. é tudo o que eu sei e daqui pra frente eu vou inventar. a  definição da palavra diz que ela surge por culpa de uma lembrança ou relação antiga, então, sem memória ou amigos também não há nostalgia.

alguém me disse que saudade e nostalgia são diferentes, porque enquanto a primeira pode ser boa ou ruim, a segunda é sempre boa pois tem a ver com uma projeção de ideal de um passado que não necessariamente aconteceu. complexo né? ou seja, sem lombra, não há nostalgia também.

todo mundo sabe que saudade é vontade de ter novamente, mas certo jornalista português cujo nome jamais lembrarei falou que nostalgia é saber o que se perdeu e, mais importante, que se perdeu. pô, então sem aceitação também não há nostalgia.

um ou outro desses pensadores atormentados de hoje em dia acham que saudade é imprevisível e só vem depois que a gente já viveu, e que nostalgia é a compreensão presente de decisões tomadas no passado, quando a gente não tinha ideia de como ia ser o futuro. sendo assim, sem planejamento também não há nostalgia.

é muito burocrático ter nostalgia. o sujeito tem que escolher ter saudade e vontade de reviver uma felicidade hipotética que ele sabe que nunca teve ou nunca mais vai ter. é muito malabarismo retórico, muita discussão de sexo dos anjos, muito pra que isso.

na minha época era só curtir um som antigo que te fazia sorrir sem motivo, ou ver foto da moça bonita de tempos atrás e não conseguir pensar em mais nada. na minha época nostalgia nem tinha nome nem período de carência, eu acho. ela vinha e ia e pronto. como agora.

a difícil tarefa de homenagear quem você ama

quando você gosta, você quer gostar sem ser piegas. quando você admira, você quer admirar sem ser bajulador. quando você quer bem, você quer querer bem sem ser sufocante. nem sempre você consegue, mas você quer do fundo do coração conseguir.

nessas horas eu lembro do poema do amigo aprendiz, de fernando pessoa. ele pede paciência porque amizade também é aprendizado, de um para o outro e de um com o outro. quando você se distância do papel para ver o desenho todo com mais clareza, você enxerga isso. é uma descoberta boa.

hoje é aniversário de uma das pessoas mais queridas do mundo e eu não conseguirei evitar ser piegas, bajulador e sufocante. eu gosto dela mais do que gosto de mim, acho ela a pessoa mais espetacular da face da terra e queria passar o dia todo com ela hoje comemorando.

desculpa poli, hoje eu não consegui, mas juro que vou tentar com mais empenho da próxima vez.

parabéns pra tu <3

clichê

era essa a música que tocava quando eu dei as costas para o diabinho que soprava desconfiança no meu ouvido. o anjinho que grita o contrário para abafar a discórdia não estava lá. nem mesmo ele discordava do diabo dessa vez.

teimoso que sou, quis brigar com meu instinto ruim achando que ele estava errado, achando que ele se aproveitava da ausência do instinto bom para falar mais alto. 

o que eu não percebia na hora é que não existe ruim ou bom quando se trata de instinto. ele apenas existe, e é despido de qualquer preconceito. ele está lá e é seu e veio de algum lugar. às vezes você sabe de onde ele vem, às vezes não, mas ele existe sempre por um motivo.

sempre confie no seu instinto. caso você não consiga, ao menos receba a indireta da música que estiver tocando na hora. não comece uma guerra ao som de um grito de paz.

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